O mar e o céu vivem de mãos dadas no horizonte. São como siameses que o universo separou para que a Terra pudesse existir,
Tu és o meu mar, e eu sou o teu céu!
Todos os dias e todas as noites, então me invades e me chegas e me invades e me tomas e me perdes e te derramas sobre mim… com os teus olhos sempre intensos e abres a boca para libertar novas histórias e outra vez me completo assim, sem urgências e me concentro inteira em ti!
O meu mar é alto, esguio e infinito! Tudo nele é grande e ao mesmo tempo perfeito, do tamanho dos olhos e do seu coração. Possui um cabelo farto e despenteado, como tão bem lhe compete e melhor lhe assenta. Parece eternamente jovem e reina sobre tudo o que o rodeia sem sequer dar por isso. Tem um ar puro e adocicado, e dos olhos imensos é como se caíssem fios de mel que suavizam todos os gestos.
A voz é grave, serena e quente, própria de seres que não são bem deste mundo. Nos dedos imensos e nas mãos grandes adormece o meu coração…
Ele não sonha o quanto as pessoas gostam e precisam dele, mas há mares assim! Que não adivinham o que são, como se fossem iguais a outros mares, e que encolhem os ombros perante os seus defeitos, numa discrição congénita, quase tímida, quase infantil, desconhecendo o imenso poder que emanam!
O meu mar é só meu, e dentro dele leva metade de mim…
MR
Sem comentários:
Enviar um comentário