
"Sento-me aqui nesta sala vazia e relembro. Uma lua quente de Verão entra pela varanda, ilumina uma jarra de flores sobre a mesa.
Olho essa jarra, essas flores, e escuto o indício de um rumor de vida, o sinal obscuro de uma memória de origens. No chão da velha casa a água da lua fascina-me! Tento, há quantos anos, vencer a dureza dos dias, das ideias solidificadas, a espessura dos hábitos que me constrange e tranquiliza.
Tento descobrir a face última das coisas e ler a minha verdade perfeita. Mas tudo esquece tão cedo, tudo é tão inacessível! Venho à varanda e debruço-me para a noite. Quanta coisa aprendi e sei que está aí à minha disposição. Neste instante fugidio, apaziguado, eu me esqueço à quietude desta lua irreal sobre a terra, realizada em dádiva e fertilidade À memória de uma inocência outrora e para sempre reinventada em música, a uma hora de cansaço entre uns dedos indefesos e a luz derradeira de um dia de Inverno, e eu me esqueço ainda, ao anuncio de alguém numa porta que se abre, e que me procura e me toma as mãos e as molda, à luz da lua, na flor breve e miraculosa de uma profunda comunhão. É SONHO??? " Virgílio Ferreira
Gosto das citações que fazes..mas gostava ainda mais de ver aqui mais textos teus..=) Acredito que os devas ter ai escritos algures em cadernos pelo teu quarto...vá lá.. partilha...teria todo gosto em lê-los... e descobrir um pouco mais desses teus pensamentos...=)***
ResponderEliminarbeijinho..e parabens pelo blog..continua..eheh
=)***
PS: musica de fundo perfeita...=) mas isso eu já sabia que tinha um óptimo gosto musical.. xD
beijoo**